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sábado, 11 de abril de 2009

Poemeus I

Escritos na Floresta da Tijuca sentando na Ponte Pencil da Cova da Onça em 10/04/2009; foi como um surto curto, no espaço vazio do tempo.

Enxergado os limites


"Concluo em um momento

que quanto mais

conhecimento tenho,

mais sofro no tempo,

sobretudo quando

entendo o movimento

das coisas

em seu devido tempo,

suas causas e conseqüências,

incluindo a ciência.

Seria o conhecimento

Uma forma, então,

de auto-punição ?

Ora, claro (que não) !

- Seria então uma forma de

enxergarmos os limites

entre o céu e o chão ?

- Talvez sim, talvez não."

Fazer nada


"Ai que prazer

estar aqui sentado

ouvindo este silêncio

verde/azulado

os piados e asas

batendo ao meu lado,

a água descendo

o seu rumo permanentemente

sem imaginar onde estará indo

e jamais imaginando

que voltará, um dia talvez,

sem a lembrança de nada que fez.

E eu aqui sentado

Refletindo sobre o que fiz

E sobre o que farei.

Ainda hoje talvez,

E talvez fazer nada

seja sensatez."

Decida !


"É tão fácil decidir

quando estamos sós.

Porém estar só

é algo tão raro,

que custa caro

decidir o que decidir."

A mente sente


"Aqui sentado estou,

ouvindo o córrego passar

e sob esta ponte rústica

me vem à mente

o que a gente sente

quando a mente sente

na sua presença,

a ausência dos outros."

Norteando


"Onde estou,

neste momento de introspecção,

senão em direção ao meu lado

esquerdo do peito,

onde penso a meu respeito

e que caminhos seguir ?

des-norte-ado estou

em direção ao sul ou ao leste,

Turquia talvez,

um minuto de sensatez,

é um sonho ?

me olho no espelho

e já não sei quem sou,

perdi-me

no vasto oceano das indecisões,

causadas pelos se/não da estrada

em direção a consciência-inconsistente

do conhecimento que (se)foi (adquirido)

ao longo do caminho,

encontro, mais adiante,

com meu outro eu,

que decide seguir em frente

ainda que de forma inconsciente."

Desafio a lucidez


"Quantos desafios, quantos sim

e quantos não.

Muitas vezes encontro-me

em profunda indecisão.

Por um fio de navalha,

não jogo tudo fora

mas não, penso e reflito

por um momento,

avalio o movimento, o tempo,

e o que virá no próximo evento,

e calo-me no vazio do meu peito,

sufocando mais uma vez

um momento de lucidez,

sábio ou burro talvez."